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HERANÇAS E LIÇÕES ENTRE PORTUGAL E O
BRASIL. |
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ARQUITECTURA E URBANISMO NA LISBOA DA 1ª
METADE DO SÉC. XX |
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Paula André |
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Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa |
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Não fez Deus o Céu em xadrez de
estrelas, como os |
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Pregadores fazem o sermão em xadrez
de palavras (1). |
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Padre António Vieira |
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O historiador Robert Smith no seu artigo Urbanismo colonial no Brasil
estabeleceu uma relação entre a Praça XV de Novembro do Rio de Janeiro e a
Praça do Comércio de Lisboa ao referir que a configuração espacial do Largo
tinha sido feita à semelhança do “grandioso Terreiro do Paço de Lisboa,
expressão simbólica suprema no urbanismo tradicional europeu do domínio
marítimo de uma grande nação”(2). A Praça XV de Novembro e a Praça do
Comércio revelaram-se, com esta relação, um marco do tempo, noutro tempo,
garantindo-lhes a ligação entre um tempo quotidiano e um tempo histórico,
sendo essa a sua modernidade. |
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A Praça XV de Novembro nasce na várzea de Nossa Senhora do
Ó, no século XVI. Então totalmente aberta à baía e configurando-se hoje
“fechada” ao rio, com a construção, na segunda metade do séc. XX,
de uma avenida perímetral elevada. Desde o início que a ocupação da Várzea da
cidade do Rio de Janeiro se fez de acordo com um conceito de regularidade, do
qual nasceu uma malha ortogonal. É este facto que levaria José de Figueiredo
Seixas, arquitecto português da segunda metade do século XVIII, a mencionar,
no seu Tratado da ruação para emenda
das ruas das cidades, vilas e lugares, deste Reino, o Rio de Janeiro como
a única cidade edificada de modo regular: “quanto a mim só me ocorre
que seedificasse acidade do Rio de Janeyro, eporisso seacha com os seus
arruamentos, edeficios, e praças sufficientemente regulares...”(3).
Aquando dessa ocupação da Várzea, as fontes sugerem que ali já existiam
construções, uma vez que as indicações para a delimitação das ruas a abrir
eram dadas através da menção dos proprietários dessas pré-existências e, por
outro lado, havia uma constante preocupação com o respectivo alinhamento, na
medida em que o desalinhamento era motivo suficiente para derrubar
construções que obstruíssem a regularidade que se desejava imprimir ao
conjunto, o que também evidencia um entendimento cenográfico do espaço. |
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Rafael Moreira, a propósito do título do tratado de José
de Figueiredo Seixas, Tratado da Ruação (...), refere que encontra o
termo ruação pela primeira vez num
documento de 1616 e relaciona-o com o traçado dos arruamentos da cidade de
São Luís do Maranhão, um traçado regular que levaria o padre jesuíta José de
Morais a considerar que a cidade tinha “...boas ruas a rumo de
corda...” (4). Rafael Moreira menciona ainda o Diccionario da língua Portugueza (...) de Bernardo de Lima e Melo
Bacellar, publicado em 1783, onde arruar significa fazer rua direita. Mas
afirma também que Seixas, ao escolher esse termo para título do seu tratado,
“arvorara em programa uma velhisssima tradição, enunciando as origens e
influências culturais da sua arte”(5). É o percurso dessa tradição que
passamos a enunciar. |
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A Lisboa conquistada por D. Afonso Henriques era já
constituída por um conjunto amuralhado (Cerca Moura) e por bairros
extramuros. No reinado de D. Dinis, executam-se os primeiros aterros na zona
do esteiro, de modo a permitir a construção das Tercenas Reais e Estaleiros,
junto à escarpa de S. Francisco, que correspondem, já nessa altura, a uma
descida e a um avanço da cidade em relação ao rio. D. Dinis constrói ainda a
segunda muralha da cidade, a primeira da ribeira, com o intuito de proteger
os novos núcleos que entretanto se expandiram, como o da Baixa (a Ocidente) e
o de Alfama (a Oriente). Contudo, essa muralha não chegou a ser concluída e
efectivamente só no reinado de D. Fernando, em 1373, com a construção de uma
nova muralha, mais próxima do rio (6), essas novas áreas urbanas passaram a
ficar englobadas no seu interior. D. Manuel I decidiu descer da Alcáçova(7),
iniciar novos aterros na ribeira e construir o Paço sobre a casa da Índia,
Mina e Guiné. O terreiro, antes esteiro, praia e ribeira, tomou então a
designação de Terreiro do Paço. |
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Concordamos com José Custódio Vieira da Silva quando
refere que, por um lado, as “cidades da Idade Média (...) se constituem
como continuum em relação aos modelos da arquitectura e urbanismo da
Antiguidade grega e romana” e, por outro, que na “Lisboa medieval
houve três momentos decisivos de alargamento estruturado: o primeiro, em
tempos do rei D. Dinis e D. Fernando; o segundo com D. João I até à regência
de D. Pedro; o terceiro, sob D. João II e D. Manuel” (8). |
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Em Portugal, a tradição de regularidade remontará ao
reinado de D. Dinis, com a regularização e o aumento da Rua Nova em 1294,
eixo paralelo e aberto ao rio tendo-se então, derrubado casas “para que
a rua ficasse de 8 braças” (9). No ano seguinte, com a abertura da Rua
dos Ferreiros e a ampliação do Largo dos Açouges, voltou-se a derrubar também
casas, “para a honra da villa e para aproveitamento da terra”. Em
ambos os casos, tais procedimentos eram justificados quer por razões de uniformidade
e de estética, quer por questões funcionais, “medindo-se por cordas a
largura e cumprimento”(10), ou seja, usando-se a prática de cordear. |
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Há uma efectiva preocupação com o reordenamento alinhado do
centro da cidade, com a regularização e o alinhamento das ruas. Uma estética
da linha recta revela-se em várias cartas para o Senado de Lisboa,
nomeadamente na referência do secretário António Carneiro: “como os
(esteios) da rua nova dereitos e muy bem obrados e ainda nalguns lugares em
que convem lhe seja dado tanto chão como convinha para todas as casas ficarem
yguais e por cordel e que hua não saya mais que outra”(11). D. Manuel
preocupado com o facto de na Rua Nova dos Mercadores ainda existirem
“casas construídas com materiais menos nobres, como a madeira, (...)
deu um prazo de um ano para que fossem substituídas por outras de
pedra”(12). No entanto, como refere Walter Rossa, “já em 1462 D.
Afonso V tentou impor que as casas da Rua Nova de Lisboa fossem feitas sobre
arcos de cantaria e daí até ao telhado em alvenaria de pedra e cal, sem
tabuados”(13). Seria, porém, através da acção de D. Manuel que a
referida rua passaria a ter “um notável perfil urbano com edifícios de
habitação de cinco andares, onde o piso térreo era ocupado pelas mais bem
fornecidas lojas de toda a Europa em matérias-primas e objectos provenientes
do Oriente e de África, autênticos «gabinetes de curiosidades»”(14). |
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As opções tomadas durante o reinado de D. Manuel no que se
refere ao reordenamento da cidade de Lisboa “deveriam servir de modelo
para o corpo da cidade”(15). A Rua Nova é “tomada como modelo
referencial para novas intervenções”(16) e para as janelas de frente da
nova Praça da Ribeira são tomadas como modelo as janelas do Hospital de Todos
os Santos do Rossio. Em todas estas medidas denota-se uma clara intenção de
uniformidade e uma preocupação programática. Concordamos com Helder Carita
quando refere que a “ Rua Nova, que tinha constituído o elemento fundamental
de estruturação do centro da Lisboa dionisina, se bem que totalmente renovada
na morfologia e desenho dos seus alçados, perde, com a urbanização da Praça
da Ribeira o valor estruturante de centro, que ocupara nos séculos XIV e
XV”(17). O Regimento das obras a efectuar na frente urbana da
Ribeira(18) “instituía uma larga frente urbana de cerca de 172 metros,
virada ao Tejo, composta por quatro grandes conjuntos arquitectónicos. (...)
A altura dos edificios, de apenas dois pisos, e os telhados, construídos com
uma só água, salientavam a linha contínua de ameias da antiga muralha. Como
esta muralha, embora correndo paralela ao Tejo, não apresentava um
alinhamento contínuo, eram fornecidas medidas diferentes na profundidade dos
quarteirões de forma a que nas frentes das lojas «...huma nom saya mais da
outra»”(19), medida que
evidencia uma clara intenção de alinhar e uniformizar a frente do novo
Terreiro do Paço. |
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É ainda D. Manuel I quem prolonga a Rua Nova d’El
Rei, eixo perpendicular ao rio, mandada abrir por D. João I, referida no
século XIV como o rego, passando depois a ser mencionada como rua do Cano
Nova. Com este prolongamento o Rossio passa a ficar ligado à zona da Ribeira,
tendo sido também necessário demolir construções para que a Rua Nova d’El
Rei ficasse alinhada(20). À semelhança das obras que tinham sido feitas na
Rua dos Ourives da Prata(21), os trabalhos de alargamento da Rua dos Ourives
do Ouro, que ficaria com quarenta palmos de largura, de modo a ser “a
mais pública e principal”(22) prosseguem com D. Pedro II. Esta obra é
mencionada em carta do Secretário de Estado, Pedro Sanches de Farinha de 13
de Setembro de 1686: “(...) e também ordena que V. Sª, vendo, com os
ministros do senado, o quanto se necessita de que a Rua dos Ourives do Ouro
se largue, por ser o concurso de toda a cidade, e por esta causa haver sempre
n’ella contendas nas passagens por não caberem dois coches por ella, se
trate dos effeitos que pode haver para esta obra que é tanto em utilidade do
commum”(23). |
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Em todas estas determinações enumeradas está presente, uma
preocupação pré pombalina de regularidade e simetria. Tal como refere Helena
Murteira, a propósito de um pedido de construção de um palheiro na Praça da
Ribeira, a 6 de Março de 1704, uma Consulta da Câmara ao Rei menciona que
“(...) o Senado, por decretos e resoluções de V. Majestade está
dispendendo e dispendeu considerável fazenda em alargar as ruas, (...)
cordeamentos regulares que devem ter as ruas para formosura da
cidade”(24). E denotando exactamente o mesmo tipo de preocupação em
1751, a Coroa decide que o arquitecto camarário, Eugénio dos Santos, deveria
estar presente em todas as vistorias das obras da cidade e o Presidente do
Senado defende: “não pode haver vistoria alguma que não respeite ao
ornato e symetria da cidade”(25). |
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A lógica iluminista presente no projecto pombalino da
Baixa de Lisboa enquadra-se no pensamento esclarecido e higienista de Ribeiro
Sanches, presente na sua obra Tratado
de conservaçam da saude dos povos (1756),
que tendo por base uma raiz clássica fundamentada em Vitrúvio, relembra que “os Romanos fazião as ruas das cidades ma mesma largura,
que tinhão as vias militares, ou estradas reaes; terminavão-se nas portas
dellas, ou nas praças: a segunda sorte de ruas era mais estreita, e
conrespondia a sua largura à dos caminhos de travessa, que sahião das vias
militares”. Esta hierarquia viária está presente no Plano de Pombal,
elaborado pelos engenheiros/urbanistas, onde contracenam ruas principais e
ruas secundárias mostrando que o fazer da cidade não esqueceu, nunca, os dois
eixos estruturantes pré-existentes, a Rua Nova d’El Rei - Cardo - e a Rua Nova dos Mercadores - Decumanus -, denunciando a sua
ancestralidade clássica. |
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É na Casa do Risco que Eugénio dos Santos(26) elabora o
projecto da futura Praça do Comércio, redesenhando o espaço pré-existente,
construindo novos aterros, abrindo-a a
Sul, para o rio Tejo(27), e pontuando-a com a estátua equestre de D. José I.
Os arquitectos/engenheiros militares do Reino desenharam-na aplicando a
matriz da linha recta, absorvendo a lição da composição urbana das missões
jesuíticas e relembrando o Projecto de Herrera para fechar toda a praça do
Terreiro do Paço, com um pavilhão fronteiro ao de Terzi(28). Desenharam-na também
à maneira dos arquitectos cenógrafos, podendo ser olhada como um desenho
arquitectónico para uma perspectiva de cena(29). Por outro lado, os
arquitectos/engenheiros de Pombal também não terão certamente esquecido
“as plantas de tudo o que ha celebre no mundo, e modellos de todas as
Igrejas, e mais famosos Palacios de Roma”(30) que D. João V mandava vir
da cidade pontifícia e reunia nos salões do Paço da Ribeira. |
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A estética da linha recta revela-se uma matriz nascida não
só do desejo, mas também da regra e, mais interessante, da prática. A atenção
ao lugar, ao sítio, característica da arquitectura e do desenho urbano
português, advém precisamente não de um modelo, mas sim da pré-existência de
um modo de fazer. E é exactamente porque existe essa matriz fundamentada numa
prática que o fazer urbano é competência dos engenheiros militares, uma
competência pragmática e que se revelaria programática. Por tudo isto podemos
considerar o plano pombalino não como ruptura mas como continuidade
anunciando um protoneoclássico alicerçado nessa tradição. |
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Parece-nos assim pertinente estabelecer uma comparação
entre a composição de um acampamento militar romano, uma missão jesuítica e o
plano pombalino ou entre um pormenor da arquitectura do Rossio anterior ao
terramoto, o projecto Joanino de fachada das novas casas da Rua dos Ourives
do Ouro, a fachada dos quartéis da fortaleza de Santa Cruz da Ilha de Santa
Catarina e os projectos pombalinos de fachadas da Rua do Arsenal e do edifício
do Senado da Câmara. |
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Retomando o exemplo do Rio de Janeiro, verifica-se que a
chegada da corte portuguesa, em 1808, incentivou a construção e provocou um
crescimento da cidade que manteve a preocupação com a regularidade e o estabelecimento
de praças. Em 1810, ordenava-se ao Senado da Câmara que “as novas ruas
abertas na cidade fossem mais largas, (…) para nelas se edificarem
edificios regulares, e de uma só e igual simetria para cada uma das ruas
novas, deixando-se no arruamento, que se projectar, algumas praças, o que só
embeleza a Cidade, mas contribui muito para a saúde da população
(…)”(31). Em 1816, o Senado da Câmara denunciava erros no
projecto de alinhamento das ruas e regularidade dos edifícios. Um ano depois,
António Alves de Araújo, na sua obra Reflexões
sobre a edificação de novas casas na cidade do Rio de Janeiro, sugeriu,
para solucionar a questão da não uniformidade, “o estabelecimento de um
padrão para as construções, apresentando um plano de edificação: este plano
deverá estabelecer o prospecto exterior dos edificios, a sua altura, a sua
fortaleza (...) deverá determinar a largura das novas ruas que se abrirem, e
marcar a sua direcção”. A justificativa desse plano era dada “a
partir da comparação a Lisboa e aos demais reinos europeus: Lisboa, é
testemunha do quanto podem adequadas providências”(32). Demonstra-se
assim que tanto a cidade do Rio de Janeiro servia de referência à metrópole,
como Lisboa era também o modelo para o Rio de Janeiro. |
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D. Maria I em 1780 ordenava ao Senado da Câmara “a
libertação do edificio recém-inaugurado para acomodação da família real.
Iniciava-se desta forma a adaptação da ala norte da Praça para instalação do
Paço de Lisboa, termo utilizado no lançamento das despesas arquivadas no
fundo do Erário Régio. A nova residência estendia-se da Rua Augusta ao Largo
do Pelourinho, unindo os dois quarteirões separados pela Rua do Ouro. Para
garantir a ligação entre os dois edificios, foi necessária a construção de
dois passadiços”(33). À semelhança do que se passara em Lisboa, com a
corte portuguesa no Rio de Janeiro, que ganharia o estatuto de capital
portuguesa, a antiga residência dos vice-reis, na Praça XV de Novembro, será
remodelada de modo a poder cumprir as funções de Paço Real, e D. João VI
decide estabelecer uma ligação directa do novo Paço Real ao convento dos frades Carmelitas,
onde se alojaria a Raínha D. Maria I, através da construção de um passadiço
sobre a Rua Direita . |
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A partir do séc. XIX, o percurso e a obra do
engenheiro-arquitecto Pierre-Joseph Pézerat(34), no Rio de Janeiro e em
Lisboa, revelam a importância da sua dupla formação em Paris, marca de um
espírito iluminista enquadrado num discurso neoclássico. A análise da obra de
Pézerat permite apresentar um confronto e uma reflexão em torno do
tradicional vocabulário neoclássico e da expressão da “caixa”
arquitectónica. Massa expressiva que se enquadra na obra de
Jean-Nicolas-Louis Durand, e na tradição da arquitectura portuguesa, com a
qual Pézerat certamente se familiarizou no Brasil. Pézerat chama a atenção
para a obra de Andrea Palladio, arquitecto igualmente valorizado na
contemporaneidade por Álvaro Siza Vieira. A valorização da obra de Palladio
permite igualmente verificar a legitimidade da existência de um fio condutor
na arquitectura portuguesa entre o românico, o estilo chão, o pombalino, o
neoclássico e a contemporaneidade(35). |
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No século XX vai continuar a verificar-se a mesma relação
entre o Rio de Janeiro e Lisboa, ilustrado pela acção do arquitecto urbanista
Donat-Alfred Agache(36), que trabalhou em ambas as cidades. Os bairros novos
de Lisboa das primeiras décadas do século XX eram severamente criticados, e
mais uma vez nos surge o Rio de Janeiro como exemplo das boas práticas. Segundo
Paulo Brito Aranha: |
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“os bairros
novos de Lisboa oferecem reduzido interesse. Mesmo as avenidas mais nobres
são nuas e desconfortáveis. E a abundância dos caixotes com buracos, produto
de mestres de obras sem qualquer espécie de cultura artística, é de cortar o
coração. Um verdadeiro arquitecto pode dar expressão artística à mais
económica das suas criações. Vejam-se alguns lindos trabalhos de Raul Lino,
desempoeirado e admirável arquitecto da nossa terra. E um verdadeiro
urbanista pode conseguir harmonia e grandeza para as perspectivas de uma
cidade modesta ou dum modesto bairro social. A questão está na centelha
criadora. Viena, Budapeste, Rio de Janeiro, Berne – dão disso exemplos
insofismáveis”.(37) |
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A acção de Agache no Rio de Janeiro nos anos 30,
particularmente no Plano para a cidade do Rio de Janeiro elaborado entre 1928
e 1930, vai tornar-se objecto de atenção particular neste debate, que tinha
já saído da esfera dos especialistas e tinha claramente entrado no domínio
público. Segundo uma notícia publicada no Diário de Lisboa, |
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“Lográmos o alto prazer de nos avistarmos, hoje com
Mr. Agache, o criador famoso da moderna Rio de Janeiro, o mestre insigne de
urbanistas que, em Setembro de 1932 na reunião promovida pela revista
«L’Architecture d’Aujourd’hui» e efectuadas nas principais
cidades russas, demonstrou o seu notável senso do grande urbanismo, entre um
escol internacional de arquitectos especializados na arte de construir
cidades belas e salubres. Mr. Agache veio a Lisboa, a convite do Ministério
das Obras Públicas, a fim de dar a sua consulta sobre as condições que,
possivelmente, ofereça a margem sul do Tejo, de Lisboa a Cascais, para a
construção de uma «auto-estrada»(38). |
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A seguir transcreviam-se alguns momentos da entrevista: |
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“- Não é a primeira vez que vejo Lisboa. Passei por
aqui pelo menos 18 vezes nas minhas idas ao Brasil; e cada uma das demoras do
paquete, no porto, aproveitei-a para visitar esta capital, como turista, é
claro. |
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- Do fundador da moderna «urbs» fluminense desejo saber:
Qual é o valor urbanístico da margem direita do Tejo em comparação com o da
famosa Avenida marginal do Rio de Janeiro |
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- Actualmente estamos ainda longe de poder estabelecer bem
esse paralelo. Devo porém declarar-lhe que há possibilidades de conseguir
aqui resultados análogos aos que se obtiveram na primeira cidade brasileira.
A futura avenida portuguesa, sem ser semelhante à do Rio, adaptar-se-á
perfeitamente à grandiosidade da Costa do Sol, mesmo com certas
particularidades valiosas que na fluminense não existem. Basta reparar-se em
que a extensão da de cá - 30 Km
– é uma condição maravilhosa. |
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- Que motiva agora a sua travessia do Atlântico? |
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- Vou estudar, «de visu», os elementos para a criação de
uma cidade de repouso e de prazer, a 8 Km de distância do centro de São
Paulo.”(39). |
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Poucos dias depois daquela primeira notícia, o mesmo jornal
divulgava a futura acção de Agache na construção do bairro satélite de Santo
Amaro, em São Paulo: |
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“Agache. O vice-presidente da Societé Française des
Urbanistes – cargo que, por si só, lhe dá uma reputação elevadissima em
todos os grandes centros internacionais de urbanismo – vai, em Agosto
próximo, a São Paulo (Brasil) para tratar da fundação de uma cidade moderna,
nas proximidades daquela capital estadual. |
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- Assisti às necessidades de Minas Gerais, Portalegre,
Pernambuco e Rio de Janeiro. Ultimamente – em Setembro de 1932 –
fui chamado a São Paulo para estudar o arranjo nos arrabaldes do seu sector
oeste, de uma zona particular, sita ao longo do lago artificial construído
pela Sociedade «Light and Power». A urbanização da nova Santo-Amaro, a
Cidade-Satélite de São Paulo divide-se em 4 partes. Na próxima 6ª feira
quando efectuar a minha conferência sobre urbanismo em geral, na Sociedade
Nacional de Belas Artes, terei ocasião de mostrar algumas fotografias da
região do lago, junto do qual surgirá a planeada cidade-satélite.”(40) |
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Da sua conferência na Sociedade Nacional de Belas Artes,
onde tinha também a sua sede o Sindicato Nacional dos Arquitectos
Portugueses, não temos notícia, mas mais uma vez a acção de Agache no Rio de Janeiro
surge como argumento decisivo para a necessária reforma de Lisboa: |
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“Era agora uma ocasião única de enterrar de vez o
fantasma do mau gosto, entregando Lisboa a esse homem, que fez do Rio de
Janeiro colonial e imperial uma cidade do século XX, cheia de cor, de graça,
de luz e de movimento onde o estrangeiro se refastela regalado, cercado de
todas as comodidades que um homem civilizado pode reclamar. Alfredo Agache,
no Rio, como em muitas outras urbes de aquem e de além Atlântico, pôs mão em
tudo, mão sábia e experiente: viação, roteiro, esgostos, arborização e
jardinagem, obras de saneamento, construções públicas e privadas, docas e
portos – que sei eu? Por isso o Brasil o requere de novo, para orientar
e dirigir a construção dessa cidade maravilhosa, foco de recreio e prazer,
que vai ser a Santo Amaro paulistana.”(41) |
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O primeiro mandato do engenheiro Duarte Pacheco como
ministro das Obras Públicas (1932-36) vai ser efectivamente marcado pela figura
de Donat-Alfred Agache. Quando Duarte Pacheco decide intervir na Costa do
Sol, contacta com Agache, de quem conhecia o trabalho no Rio de Janeiro. A
obra de Alfred Agache sobre planeamento urbano, La Remodélation d’une capitale (1932), tendo como base o
seu plano para o Rio de Janeiro, revela-se um precioso manual de planeamento
urbano. Não deixa de ser significativo que essa obra composta por dois
volumes integre o espólio do ministro Duarte Pacheco. Entre 1933 e 1936,
Agache trabalha na expansão da Região Oeste de Lisboa e no Plano de
Urbanização da Costa do Sol. |
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Em 1933 Agache é contratado para proceder ao estudo
preliminar de urbanização da zona que se estende de Lisboa até ao Estoril e
Cascais, referindo-se no Decreto 22.444 de 10 de Abril de 1933: |
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“Tempo é de fazer delinear por mão de urbanista já
consagrado neste difícil género de trabalhos, em que raros são os
especialistas, a traça a que hão-de obedecer no futuro todos os elementos de
aproveitamento e valorização de magnífica faixa marginal que será servida
pela nossa primeira estrada de turismo, por forma a que das suas excepcionais
condições se tire o melhor partido”(42). |
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O objectivo era estabelecer o plano de aproveitamento para
a urbanização e a exploração turística da vasta área de terrenos
disponibilizados pela construção da estrada marginal entre Lisboa e Cascais.
Agache, que tem uma visão alargada do processo de planeamento, para além do
desenho, ocupa-se da estruturação administrativa e da fundamentação legal das
operações a desenvolver, estabelecendo um paralelo com a evolução da
institucionalização e lançamento dos planos de urbanismo que se desenvolvem
em França a partir de 1919, de tal forma que, na sequência da primeira estadia
de Agache em Portugal, são preparados dois diplomas, um sobre Planos Gerais
de Urbanização e um outro sobre o Plano de Urbanização da Costa do
Sol.”(43). |
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Quando em 1938 Duarte Pacheco regressa ao Ministério das
Obras Públicas e inicia o seu mandato como Presidente da Câmara Municipal de
Lisboa, Alfred Agache encontrava-se de novo no Brasil, onde permanecerá
durante a Segunda Guerra Mundial. Duarte Pacheco convidará para trabalhar em
Portugal o colaborador de Agache no Plano do Rio de Janeiro e colega do
Instituto de Urbanismo de Paris, Etienne de Gröer(44). Este arquitecto irá
ocupar-se da elaboração de uma série de planos para outras cidades do país e,
a partir do seu trabalho no concelho de Lisboa, em estreita colaboração com
Duarte Pacheco desenvolve-se o Plano Director da Cidade finalizado em 1948.
Se ainda hoje a cidade de Lisboa é herdeira da política urbana de Duarte
Pacheco e dos urbanistas estrangeiros que convidou para trabalhar em
Portugal, isso quer dizer que de algum modo, ainda hoje somos herdeiros de
uma prática experimentada na cidade do Rio de Janeiro. |
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Em 1935 a revista A
Arquitectura Portuguesa e Cerâmica e Edificação (Reunidas) noticiava que Raul
Lino tinha visitado o Brasil a convite do Instituto de Arquitectos do Brasil,
do Instituto Paulista de Arquitectos e da Sociedade Brasileira de Belas
Artes(45). No ano seguinte o mesmo
periódico inicia a secção “Arquitectura de Hoje pelo Estrangeiro”
com um projecto do arquitecto Benjamim Cunha, considerado de “estilo
ultra moderno, puramente alemão”(46). Em 1943 a mesma revista volta a
publicar dois projectos de pequenas moradias de Benjamim Cunha com diferentes
expressões, desde logo através das coberturas: cobertura plana e cobertura
inclinada(47). Tanto no Brasil como em Portugal a questão da cobertura
revelou-se central porque quando plana era a imagem e símbolo da nova
arquitectura, moderna, internacional. A sua recusa e a utilização de uma cobertura
inclinada, tradicional foi entendida como uma atitude conservadora,
nacionalista e anti-moderna. |
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Sob a direcção do Dr. Augusto de Lima Júnior, o Brasil
esteve representado na Exposição do Mundo Português em 1940. O pavilhão do Brasil
foi traçado pelo arquitecto Raul Lino e a decoração interior, realizada no
Rio de Janeiro, foi da responsabilidade dos arquitectos Roberto Lacombe e
Flávio Barbosa. No seu interior os visitantes podiam observar um diorama luminoso do Rio de Janeiro que dava uma ideia da
grandiosidade da cidade, talvez relembrando a construção na Praça XV de
Novembro do Rio de Janeiro, da rotunda do Pintor Victor Meireles, que exibia
o Panorama de 360º do Rio de Janeiro destinado à Exposição de Bruxelas de
1888. Na inauguração do Pavilhão do Brasil da Exposição do Mundo Português de
1940, o comissário brasileiro alude ao “«adro de uma igreja barroca»
sublinhando que «o grande momento indestrutível que a civilização ocidental
erguera a Portugal, (era) o próprio Brasil vivo, que (continuava), em
essência, a ser português»”(48). |
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Em 1943 a publicação da obra Brazil Builds divulga a arquitectura do Brasil colónia construída
entre 1642 e 1942, mostrando uma arquitectura moderna simultaneamente
progressista e culturalista, segundo os conceitos de Françoise Choay,
considerada de acordo com as palavras do arquitecto Maurício de Vasconcelos
considerada “o nosso segundo Vignola”(49). |
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No âmbito de uma viagem de estudo à Europa, em 1949, o
Arquitecto Wladimir Alves de Sousa(50), que acompanhava um grupo de
estudantes brasileiros, finalistas da Faculdade Nacional de Arquitectura da
Universidade do Brasil, realizou uma conferência sobre Arquitectura
Brasileira em Lisboa no Instituto Superior Técnico. Seria igualmente inaugurada
uma exposição de arquitectura brasileira no salão nobre do mesmo Instituto,
em que se apresentou a arquitectura moderna brasileira através de
fotografias, desenhos e maquetas, num conjunto de 85 trabalhos, dos quais
cerca de 80% estavam construídos ou em vias de construção. Completava-se essa
mostra com a colocação à disposição do público de uma colecção de revistas e
publicações para consulta. O Professor Wladimir Alves de Sousa partiria
depois para a cidade do Porto, onde proferiu, no salão nobre da Escola de
Belas Artes dessa cidade, uma comunicação subordinada ao tema: A Arquitectura
Brasileira em face das Arquitecturas Contemporâneas. Esta palestra seria
suportada pela projecção de um vasto conjunto de obras, de modo a permitir
caracterizar a moderna arquitectura brasileira, particularizando determinados
pormenores. Tudo de modo a fundamentar a afirmação que a Arquitectura é,
essencialmente, uma arte e que uma das raízes fundamentais da arquitectura
brasileira era tipicamente portuguesa. Chega mesmo a desenhar o perfil
arquitectónico duma antiga residência colonial brasileira, de traça bem
portuguesa, considerando que, de acordo com os cânones da arquitectura
contemporânea, se poderia integrar num ambiente moderno, sem curiosamente
perder o seu básico sentido original. De modo surpreendente, o arquitecto
Alves de Sousa estabeleceu ainda um confronto entre os estilos do mosteiro de
Alcobaça e do edifício do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro,
considerando que ambos obedeceram a rigorosas exigências funcionais. |
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Em 1949, o arquitecto Formosinho Sanchez considerava que a
Arquitectura Portuguesa estava muito aquém da Arquitectura Contemporânea
Brasileira! Proclamando que era necessário evoluir dentro das actuais e futuras
condições de vida, progresso, economia espacial e material. E só havia um
modo, estudando as condições climatéricas de Portugal e Colónias. Para cada
caso, o percurso do Sol – sua incidência sobre as fachadas; os
materiais de que dispomos; a sua aplicação directa e criteriosa; as condições
económicas do País; o princípio estrutural do edifício; o arranjo
paisagístico do mesmo. |
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Formosinho Sanches, em parceria com o arquitecto Ruy
d’Athouguia, projecta, em 1949, o Bairro das Estacas em Lisboa,
integrado no Plano de Alvalade. O Bairro das Estacas (com características que
o aproximam do Bloco B do Conjunto Residencial Pedregulho do Rio de Janeiro
que Affonso Reidy projectou em 1947), para além de ter recebido o prémio
Municipal de Arquitectura de Lisboa em 1954, recebeu uma “Menção
Honrosa” na categoria de habitação colectiva, na II Exposição
Internacional de Arquitectura, da II Bienal de Arquitectura de S. Paulo. |
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Wladimir A. Sousa regressou a Lisboa em 1953, participando
no III Congresso da União Internacional de Arquitectos, que reuniu 600
participantes de 35 países e cujo tema central foi: a arquitectura no
cruzamento dos caminhos. Integrada neste congresso realizou-se na Sociedade
Nacional de Belas Artes de Lisboa uma exposição dedicada à arquitectura
contemporânea brasileira, no âmbito da qual o professor Wladimir Sousa
proferiu uma palestra em que referiu que “um facto extremamente
curioso, é a observação temente, as soluções tradicionais influenciaram, nos
arquitectos contemporâneos, o catálogo de formas de que se serviram na
execução de outros programas”(51). |
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Os arquitectos modernos brasileiros partiram de um
profundo estudo da arquitectura portuguesa para a criação das novas formas e soluções
modernas, elaborando um inquérito à arquitectura portuguesa, por ventura
pré-existente ao inquérito realizado em Portugal, cuja ideia tinha sido
lançada em 1947 por Keil do Amaral, iniciado uma década depois e só publicado
em 1961. |
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NOTAS: |
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(1)Sermão da Sexagésima, in, PÉCORA, Alcir – Sermões. Padre Antônio Vieira. São
Paulo: hedra, 2001.tomo 1.p.40. |
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(2)SMITH, Robert C. – Urbanismo colonial no Brasil. Arquitectura. Rio de Janeiro: Instituto
de Arquitectos do Brasil, nº55 (1967).p.19. |
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(3)SEIXAS, José de Figueiredo – Tratado da ruação para emenda das ruas das cidades, vilas e lugares,
deste Reino. Manuscrito. BNL. f.7. |
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(4)José Xavier de Moraes da Fonseca Pinto escreve a História da Companhia de Jesus na extinta
província do Maranhão e Pará (1759), publicada nas Memórias para a história do extinto Estado do Maranhão, editadas
por Cândido Mendes de Almeida (1860), e editada também, no Rio de Janeiro
pela Alhambra em 1987 (p. 17). |
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(5)“(...) ordenava fizesse a repartição e aruação e
engenheiro mor Francisco de Frias de Mesquita ...ey por bem que ele dito
Capitão Mor faça a dita repartição e arruação seguindo em tudo a traça que
lhe deixo em seu poder feita pelo dito engenheiro mor”, In, MOREIRA, Rafael
– Uma utopia urbanística pombalina: o «Tratado da Ruação» de José de
Figueiredo Seixas. In SANTOS, Maria Helena Carvalho dos ed. lit. – Pombal Revisitado. Lisboa: Editorial
Estampa, 1984. vol.II, p.141, citando Paulo F. Santos – Formação de Cidades no Brasil Colonial.
Separata de Actas do V Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros.
Coimbra, 1968, p.41. |
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(6)“Quando D. Diniz construiu a sua muralha na Ribeira, era a rua
Nova uma praia ou um aterro de formação recente, que tiveram de alargar
contra o rio para a fundação do muro. Mais tarde, já no aterro que pouco a pouco se havia conquistado ao
Tejo, poude D. Fernando fundar a sua muralha, à frente da de D. Diniz, contra
o mar.”, in, VIEIRA da SILVA, Augusto – As Muralhas da Ribeira de Lisboa. Lisboa: CML, 1987.p. 129. |
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(7)Esta descida da cidade em relação ao rio traduz-se também na
deslocação de alguns centros sociais, nomeadamente, a substituição do Largo
da Sé e da Madalena pela Praça do Pelourinho Velho, na extremidade Oriental
da Rua Nova dos Mercadores, que adquire uma nova centralidade. |
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(8)SILVA, José Custódio Vieira da – Lisboa Medieval. Breves
reflexões. Revista de História da Arte.
Lisboa: Instituto de História da Arte, FCSH/UNL, nº 2, (2006). p.36. |
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(9)CARITA, Helder – Lisboa
manuelina e formação de modelos urbanísticos da época moderna (1495-1521).
Lisboa: Livros Horizonte, 1999. No séc. XV, a Rua Nova passa a ter a designação
de Rua Nova dos Mercadores, sendo também referida ainda nesse século como
Praça dos Homens de Negócios. As primeiras notícias do projecto de
calcetamento da Rua Nova de Lisboa “constam de uma carta de D. João II,
datada de Novembro de 1482, onde o rei (...) determinou, como trabalho
prévio, a execução de uma planta «pyntada em papell», para melhor poder
estudá-la e emitir o seu parecer”, in, GONÇALVES, I. – Uma
Realização Urbanística Medieval: o Calcetamento da Rua Nova de Lisboa, in, Estudos de Arte e História –
Homenagem a Artur Nobre de Gusmão. Lisboa,1995. p.105; Após a viagem ao
Porto em 1483, D. João II, tendo apreciado na Rua Nova a qualidade do
trabalho e da pedra utilizada, ordenou que em Lisboa fosse utilizado igual
processo e a pedra dali trazida”, in, ROSSA, Walter – A cidade
portuguesa. In, PEREIRA, Paulo ed. lit. – História da Arte Portuguesa. Lisboa, 1999. vol.3. p.261; Seria
assim aprovada “a despeza orçada para o calcetamento da Rua Nova Grande
dos Mercadores, devendo empregar-se n’essa obra pedra do Porto
[granito], «por que a outra dapnase na maneira que vêdes», in, OLIVEIRA, E.
– Elementos para a História do
Município de Lisboa. Lisboa. 1885.Tomo I, p. 384; “Quando D. João
II morreu, em finais de Outubro de 1495, treze anos volvidos após o seu
início, ignoramos o adiantamento dos trabalhos, mas sabemos que estavam ainda
longe do fim. D. Manuel retomou o empenhamento do seu antecessor”,in,
GONÇALVES, I. – Uma Realização
Urbanística Medieval: o Calcetamento da Rua Nova de Lisboa. In, Estudos de Arte e História –
Homenagem a Artur Nobre de Gusmão. Lisboa,1995. p.107. |
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(10)Doc. de 1295 – a carta existe no AN/TT, tanto na Chancelaria
de D. Dinis, livro 2º, fl. 99-vº, como in Direitos Reais. Liv. 2º fl. 131
vº; a transcrição da carta in, VIEIRA
da SILVA, Augusto – As muralhas
da Ribeira de Lisboa. Lisboa: CML, 1987. vol. 1.p.115,116. |
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(11)CARITA, Helder – Reforma Urbanística da Lisboa Manuelina.
Início da escola moderna de arquitectura. História. Lisboa, (2000). p. 40, 41. |
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(12)GONÇALVES, I.
– Posturas Municipais e Vida Urbana na Baixa Idade Média. O
Exemplo de Lisboa. Separata de Estudos
Medievais. Lisboa, 1986 p. 170. |
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(13)ROSSA, Walter
– A cidade portuguesa. In, PEREIRA, Paulo ed. lit. – História da Arte Portuguesa. Lisboa,
1999. vol.3.p.261. |
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(14)PEREIRA, Paulo – Lisboa Manuelina. Problemas de
Conceito. Revista de História da Arte.
Lisboa: Instituto de História da Arte, FCSH/UNL, nº 2, (2006). p.43. Em meados do séc. XVI, a Rua
Nova divide-se em duas partes: a ocidente passa a ter o nome de Rua Nova dos
Mercadores e a oriente de Rua Nova dos Ferros, com grades de ferro dispostas
longitudinalmente. Mais tarde, a denominação de Rua dos Ferros estende-se a
toda a rua, sendo esta a sua designação em 1755. Esta rua, porém, era
conhecida simplesmente como Rua Nova. |
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(15)Carta régia de
29 de Outubro de 1498. |
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(16)Cartas régias
enviadas ao Senado da Câmara em 1502. |
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(17)CARITA, Helder – Legislação e Administração Urbana no Século
XVI. Actas do Colóquio Internacional
Universo Urbanístico Português 1415-1822. Lisboa: Comissão Nacional para
as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 2001.p.171. |
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(18)Regimento das obras a efectuar na frente urbana da
Ribeira (ANTT – Corpo Cronológico, parte 3ª, maço 1º, doc. 30, nº 10,
fl.1, Regimento de 29 de Outubro de 1498). |
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(19)CARITA, Helder – Legislação e Administração Urbana no Século
XVI. Actas do Colóquio Internacional Universo
Urbanístico Português 1415-1822. Lisboa: Comissão Nacional para as
Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 2001.p.174. |
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(20)A partir de
meados do séc. XVI, esta rua passa a ser mencionada de Rua da Ourivesaria do Ouro
ou dos Ourives do Ouro, sendo essa a sua designação em 1755. |
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(21)«esta obra tem consequencias mui uteis, porque cresce a cidade em
formosura, e para a nobreza fica facil a serventia que pela Padaria é tão
dificultosa (...)», in, Consulta da Câmara ao Rei de 23 de Novembro de 1676,
Livº IV de Cons. e Decr. Do Principe D. Pedro, fl. 386 (AHCML), citado por
OLIVEIRA, E. – Elementos para a
História do Município de Lisboa. Lisboa. 1885. Tomo VIII, p. 173.
“(...) em que se tornou necessário derrubar vinte e seis «moradas de
casas»”, in, MURTEIRA, Helena – Lisboa da Restauração às Luzes.
Lisboa: Editorial Presença, 1999. p.88. |
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(22)MURTEIRA, Helena – Lisboa
da Restauração às Luzes.
Lisboa: Editorial Presença, 1999. p.92. |
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(23)MURTEIRA, Helena – Lisboa
da Restauração às Luzes.
Lisboa: Editorial Presença, 1999. p.85. |
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(24)Consulta da Câmara ao Rei de 6 de Março de 1704, Livº
XIX de Cons. e Decr. de D. Pedro II, fl. 84 (AHCML), citado por OLIVEIRA, E.
– Elementos para a História do
Município de Lisboa. Lisboa, 1885. p.232,233, in, MURTEIRA, M. –
Lisboa – O Iluminismo e a Cidade. In, Lisboa – Utopias na Viragem do Milénio. Lisboa. 1999.
p.69-79. |
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(25)Consulta da Câmara ao Rei de 17 de Janeiro de 1754, Livº
V de Cons. e Decr. de D. José I, fl. 25 (AHCML), citado por OLIVEIRA, E. – Elementos para a História do Município de Lisboa. Lisboa, 1885.
p.232,233, in, MURTEIRA, M. – Lisboa – O Iluminismo e a Cidade.
In, Lisboa – Utopias na Viragem
do Milénio. Lisboa. 1999. p.69-79. |
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(26)Coadjuvado pelo tenente-coronel húngaro Carlos Mardel, arquitecto
dos Paços Reais e das Ordens Militares. |
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(27)Finalmente abrindo-a ao Tejo uma vez que desde D.
Manuel existia uma muralha/parapeito
sobre o rio e com Filipe III tinha sido construído o Baluarte de S. João ou
forte da vedoria, que só viria a ser demolido em 1678. |
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(28)Mappa de
Portugal Antigo e Moderno, pelo padre Joam Bautista de Castro (1700-1775).
Lisboa, 2ª ed 1763. 3 vols., citado por BRANCO, Camilo Castelo – Noites de insomnia offerecidas a quem não
póde dormir. Porto. Livraria Internacional, 1874. nº 8, Agosto, p.31. |
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(29)Memória/característica que curiosamente parece estar presente
também na inauguração da estátua equestre de El-Rei D. José I, em que apenas
estava realmente edificada uma parte da Praça do Comércio, e que a
“planta do seu todo não passava dos poucos a quem por política ou
necessidade se deixava ver”, tendo o marquês de Pombal determinado
“que no dia 6 de Junho [1775] havia de aparecer a sua quadratura
formada de madeira, como se na realidade estivesse completo o Edificio
(compreendido o seu cais) na forma delineada, e principiada, e com tal
perfeição de semelhança, que os olhos não pudessem distinguir o verdadeiro do
fingido. Viu-se enfim aquela Praça não só completa na figura, que se espera
venha a ter; mas como nunca chegará a acabar-se; a cantaria verdadeira foi
toda raspada, para não desmentir a fingida gessada, e a parede de alvenaria
pintada de jalde, como a de madeira”, in – A INAUGURAÇÃO da Estátua Equestre de El-Rei D. José I. Narração
verídica feita por um jesuíta, testemunha ocular do acontecimento.
Lisboa: Editorial Labor, MCMXXXVIII.p.17-19. |
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(30)SILVA, Francisco Xavier da – Elogio funebre e historico de muito alto, poderoso, augusto, pio e
fidelissimo Rey de Portugal, e Senhor D. João V. Lisboa: na Regia Off.
Sylviana, 1750.p.267. |
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(31)CARVALHO, Marieta Pinheiro de – Uma Idéia de Cidade Ilustrada. As
Transformações Urbanas da Nova Corte Portuguesa (1808-1821). Rio de
Janeiro: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, 2003. Tese de Mestrado.
p.113. |
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(32)CARVALHO, Marieta Pinheiro de – Uma Idéia de Cidade Ilustrada. As Transformações
Urbanas da Nova Corte Portuguesa (1808-1821). Rio de Janeiro: Instituto
de Filosofia e Ciências Humanas, 2003. Tese de Mestrado. p.68-70. |
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(33)FARIA, Miguel Figueira de – A Praça Real do Tejo. In, FARIA,
Miguel Figueira de ed. lit. – Praças
Reais. Passado, Presente e Futuro. Lisboa: Livros Horizonte, 2008.
p.210,211. Quando D. Maria I aí
estanciava enchiam a “Grande Praça ociosos de toda a espécie e de todos
os sexos, os lhos arregalados para as janelas iluminadas do palácio na
esperança de verem Sua Magestade, o príncipe, as infantas, o confessor e as
damas de honor circulando de sala em sala e dando ampla margem a divertidas
conjecturas”. Diário de William
Beckford em Portugal e Espanha. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1983.p.77. |
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(34)De acordo com o Processo individual existente no
Arquivo Histórico do Ministério das Obras Públicas, em carta dirigida ao
ministro das Obras Públicas, datada de 25 de Outubro de 1864, Pezerat diz que
em 1821 concluiu os estudos para engenharia civil, seguindo “como curso
d’applicação durante quatro anos; não só todos os estudos theóricos da
Academie d’Architecture de Paris; mas ainda como inspector às ordens
dos primeiros architectos, fui empregado em várias obras de construções civis
e monumentaes”. Em 1825 foi contratado, depois de concurso, pelo
governo brasileiro “com a condição de estudar durante um anno as
construções hidraulicas na Inglaterra, onde fui recomendado ao Ilustre
Engenheiro Brunnel, de quem aproveitei quanto pude os bons conselhos”.
No final do ano de permanência regressou ao Rio de Janeiro, foi com a
categoria de capitão de Engenharia, tendo servido um ano na Academia Militar;
no Rio de Janeiro foi encarregado dos trabalhos geodésicos daquela província,
levantando a planta da cidade, da baía e arredores. No fim deste ano o
Imperador D. Pedro I escolheu-o como seu engenheiro particular e em 1828
“S. M. dignou-se-me gartificar com o título de seu architecto
particular como criado de segunda classe da sua Imperial casa”. Após a
abdicação do Imperador, foi para França onde pediu emprego ao respectivo
governo, tendo sido enviado para Argel como engenheiro civil de primeira
classe, às ordens de um engenheiro chefe-director. Depois de 10 meses de serviço em Argel foi mandado
como engenheiro em chefe da província de Oran (Argélia), tendo aí ficado até
1938. Depois de ter feito parte de uma comissão para a exploração da Argélia
durante 1939, regressa a Portugal no final de 1840. “Desde então não
deixei de servir como engenheiro de companhias até 1852” neste ano foi
admitido, após realização de concurso como engenheiro e arquitecto da Câmara
Municipal de Lisboa. Pela mesma altura
foi nomeado professor de desenho na
Escola Politécnica. |
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(35)Nomeadamente nas seguintes obras: Igreja de Bravães, Séc. XIII,
Viana do Castelo, Ponte da Barca, Bravães; capela-mor da Igreja de Santa
Maria de Belém, 1565-72, empreitada de Jerónimo de Ruão; Ermida de Nossa
Senhora da Conceição, c. 1535, Tomar, João de Castilho (acabamento de Diogo
de Torralva, após 1551; Reservatório da Mãe de Água, Séc. XVIII, Carlos
Mardel; Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, 1987-93 e Igreja
de Santa Maria, 1990-96, Marco de Canavezes, Álvaro Siza Vieira. |
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(36) “Donat-Alfred Agache nasceu em Tours numa família
ligada à indústria têxtil. Arquitecto pela École des Beaux-Arts de Paris,
onde frequentou o atelier do considerado mestre Victor Laloux, termina o
curso em 1905. Enquanto estudante, em 1902, entra em contacto com o Musée
Social, uma organização não-lucrativa, constituída por reformadores, que
estuda e documenta as questões sociais e que o enviam à Louisiana Purchase
International Exposition (1904) em St. Louis, USA. Em 1909 torna-se membro da
Secção de Higiene Urbana e Rural do Museu Social. Interessando-se no início
da sua carreira, pela cidade-jardim, Agache faz, em 1913, uma comunicação
sobre o assunto na exposição relativa à Cidade Moderna de Nancy. Com um
pequeno grupo de arquitectos franceses da sua geração, de que fazem parte
Léon Jaussely e Marcel Auburtin, funda a Société Française des Architectes
Urbanistes, em 1913. Agache dedica-se especialmente ao desenho urbano,
ganhando uma reputação internacional quando obteve o terceiro prémio no
concurso para o Plano de Camberra, nova capital da Austrália (não executado).
Em 1914, organiza os primeiros cursos sobre urbanismo em França, no Collège
Libré des sciences Sociales et Economiques, em Paris. Partindo de um texto de
apoio à proposta de Lei Cordunet, escreve, em 1915, com M. Auburtin e E. Redont
uma obra metodológica sobre planeamento: “Comment Construire nos Cites
Détruites”. Enquanto Secretário-Geral da Société Française
d’Urbanistes, de que será mais tarde o vice-presidente, publica, em
1923, o texto metodológico “Comment on fait un Plan de Ville”.
Nos seu curriculum profissional consta: 1º prémio no Concurso para o Plano
Urbano de Dunkerque; elabora ainda numerosos planos entre os quais o Plano
Urbano de Creil (1924), o Plano Urbano de Poitiers (1928), os Planos de
Dieppe, St. Cyr e Tours (entre 1928 e 1930). Em 1927, “Agache foi
convidado pelo prefeito António Prado para desenvolver o Plano Director para
a Cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Não se identificando com
os arquitectos modernos europeus, Agache introduziu no Brasil uma nova
metodologia para se pensar o urbanismo, realizando um plano urbanístico que
compatibilizava uma proposta global de ordenamento para a cidade, incluindo
um zonamento (“zoning”) detalhado, legislação, saneamento e
sistema viário, com um plano de embelezamento e remodelação, estabelecendo
uma forte hierarquia entre sectores económicos e a criação de zonas de
bairros habitacionais separados por espaços livres, bem como uma graduação
arquitectónica de altos edifícios de escritórios até pequenas casas suburbanas,
preocupando-se com aspectos estéticos e visando sobretudo a área central.
[…] Agache, traçou directrizes urbanísticas que marcaram o
desenvolvimento do Rio de Janeiro nas décadas seguintes”(retirado do
livro, Affonso Eduardo Reidy. Editorial Blau e Instituto Lina Bo e P. M.
Bardi.)”, in, URBANISTAS
Estrangeiros em Portugal 1930-1960. Lisboa: DGOTDU, 2005. [CD-rom]. |
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(37)ARANHA, Paulo Brito – O principado da
Arquitectura. Ilustração. Lisboa,
Nº 68, (16 Out. 1928). p.37,38. |
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(38)MODERNIZEMOS a Capital! o arquitecto francês Agache
veio a Lisboa para estudar a construção duma estrada automobilistica de
Lisboa a Cascais. Diário de Lisboa.
(24-07-1933).p.5. |
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(39)MODERNIZEMOS a Capital! o arquitecto francês Agache veio a Lisboa para
estudar a construção duma estrada automobilistica de Lisboa a Cascais. Diário de Lisboa. (24-07-1933).p.5. |
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(40)IDEIAS Modernas acerca de urbanismo. S. Paulo e a sua
futura cidade satélite. O grande urbanista Agache fala-nos da sua nova
criação. Diário de Lisboa.
(26-07-1933).p.7. |
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(41)A VISITA de Agache. Podia aproveitar-se para pensar a
sério na modernização urbanística de Lisboa. Diário de Lisboa. (29-07-1933).p.3. |
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(42)URBANISTAS Estrangeiros em Portugal
1930-1960. Lisboa: DGOTDU, 2005. [Cd-rom]. |
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(43)URBANISTAS
Estrangeiros em Portugal 1930-1960. Lisboa: DGOTDU, 2005. [Cd-rom]. |
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(44)Etienne de Gröer nascido em Varsóvia, em 1882, filho de mãe russa
e de pai polaco, frequenta o liceu de Nice, no Sul da França e obtém o
diploma de arquitecto na Rússia, na Academia imperial de Belas-Artes de S.
Ptersburgo. Inicia a vida profissional no Gabinete Municipal de Urbanismo de
S. Petersburgo. Emigrado em França, em 1920, e no ano seguinte no artigo L’Urbanisme en Russie que
escreve para La Vie Urbaine
(Paris, 1921, 11), dá situação do urbanismo na Rússia, salientando os
progressos do conceito da cidade-jardim na Rússia. Já na década de quarenta
publica em Portugal o artigo Introdução
ao Urbanismo (Boletim da Direcção Geral dos Serviços de Urbanização,
1945-46, vol.I) onde relaciona o nome de Le Corbusier com a construção em
altura, considerando a construção alta e densa como uma experiência anterior
à guerra e definitivamente ultrapassada. No Instituto de Urbanismo da
Universidade de Paris, substitui o Professor Bruggeman, leccionando a teoria
da cidade-jardim, conceito que se vai reflectir decisivamente no trabalho que
desenvolve em Potugal. A partir da invasão da França pela Alemanha, em 1940,
fixa-se em Portugal onde reside em Oeiras até ao principio da década de
cinquenta. Na revisão de alguns dos seus trabalhos, sucede-lhe seu filho
Nikita de Gröer, contando também com a colaboração de David Moreira da Silva,
diplomado pela escola de Belas-Artes do Porto e urbanista pelo Instituto de
Urbanismo de Paris e de sua mulher, Gabrielle, arquitecta diplomada pela
Escola de Belas-Artes de S. Petersburgo; síntese elaborada a partir da obra
LÔBO, Margarida Souza – Planos
de Urbanização. A Época de Duarte Pacheco. Porto: FAUP, 1995. |
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(45)ECOS, Notícias & Comentários: Arquitecto Raul
Lino. Arquitectura Portuguesa e
Cerâmica e Edificação Reunidas. Lisboa, nº 6, (1935).p.14. Raul Lino no
Rio de Janeiro profere as Palestras: Espírito
na Arquitectura, no Salão Nobre da Escola Nacional de Belas-Artes, a 30
de Maio de 1935, sessão presidida pelo Dr. Leitão da Cunha, Reitor da
Universidade do Rio de Janeiro e Arquitectura
– Padrão Cultural, na Academia Brasileira de Letras, a 9 de Julho
de 1935; Raul Lino visita ainda o Recife, Olinda, Salvador, São Paulo e Minas
Gerais. |
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(46)ARQUITECTURA de Hoje pelo estrangeiro. Arquitectura Portuguesa e Cerâmica e
Edificação Reunidas. Lisboa, Ano XXIX, 3ª série, nº 21, (Dezembro, 1936).
p.22,23. |
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(47)A Arquitectura
Portuguesa e Cerâmica e Edificação Reunidas. Lisboa, nº 100,
(1943).p.10-15. |
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(48)ACCIAIUOLI, Margarida – Exposições do Estado Novo 1934-1940. Lisboa: Livros Horizonte,
1998.p.184-188. |
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(49)FERNANDEZ,
Sérgio – Percurso Arquitectura Portuguesa 1930-74. Porto: FAUP,
1985. |
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(50) “Wladimir Alves de Sousa diplomou-se em 1930 pela Escola
Nacional de Belas Artes, curso de Arquitectura. Obteve nesse ano a grande
medalha de ouro. 1931, Prémio Caminhoa, de viagem à Europa, por concurso.
1936, primeiro classificado em colaboração com o arquitecto Enéas Silva no
concurso de projectos para o Ministério da Fazenda, de carácter moderno
(projecto rejeitado e substituído por um outro neoclássico). 1938, obtém por
concurso a cátedra de Teoria e Filosofia da Arquitectura na Escola de Belas
Artes. 1949, traz a Portugal a primeira exposição de Arquitectura Brasileira,
acompanhado de um grupo de estudantes. 1952, realizou na Sorbonne três
conferências sobre a arte brasileira. É incumbido pela Reitoria da
Universidade da Balira de realizar os estudos para a cidade universitária.
Tem no momento, em curso de execução, os novos edificios das Faculdades de
Ciências Económicas, Odontologia e Farmácia, e a nova sede do Banco Lar Brasileiro.
Conferências e obras publicadas: Três faces do Barroco; Novos rumos da
arquitectura contemporânea; Mensagem de Goya; O espírito Barroco na escultura
brasileira do séc. XVIII; O espaço barroco; A azulejo no Brasil.”, in,
Exposição de Arquitectura Contemporânea Brasileira. Arquitectura. Revista de Arte e Construção. Lisboa, nº53,
(1954).p.17. O Departamento de História e Teoria da Faculdade de Arquitectura
e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com apoio financeiro
da Fapej, está a promover o inventário e a catalogação do acervo do arquiteto
Wladimir Alves de Souza, revelando “desenhos, documentos e manuscritos
que recontam a história da arquitectura do Brasil”, in, MARTINS, Maria
Clara Amado – Arquitectura: a importância da memória. CREA-RJ EM REVISTA. Nº 71, (Junho,
2008).p.40. |
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(51)Exposição de Arquitectura Contemporânea Brasileira. Arquitectura. Revista de Arte e
Construção. Lisboa, nº53, 1954.p.19. |
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